Autodeclarada parda, estudante é desclassificada em avaliação de cotas da UFPE

Publicado em 20 de mar�o de 2022 às 17h09m
Por Professor Isaquel Silva
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EP Aprova

O sonho de cursar medicina nunca esteve tão próximo para Williane Débora Dias Muniz, de 21 anos, autodeclarada parda, que após cinco anos conseguiu passar pela primeira vez no vestibular do curso. No entanto, a oportunidade foi barrada pela Comissão de Heteroidentificação, após a jovem ser desclassificada durante a avaliação prévia de cotistas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  “O sentimento é de impotência”, classifica a jovem. As informações são do g1.

Segundo a comissão, responsável por analisar as autodeclarações para evitar que cotas sejam ocupadas por quem não faz jus ao direito, Williane “apresenta cabelos lisos, com lábios, nariz e traços finos, não apresentando fenótipo que atenda às exigências para obtenção de cota. Sem traços físicos negroides”.

A jovem declara que entrou duas vezes com recursos, indeferidos. “Quando negaram da primeira vez, eu reenviei fotos, documentos, gravei outro vídeo, consegui documentos em que constam a minha raça e, ainda assim, eles indeferiram. Já tentei de todas as formas administrativas, só falta no âmbito jurídico.”

Ela lamenta o caso e expõe o preconceito sofrido: “É um ranço histórico que a minha etnia carrega em vários aspectos e, no acesso ao ensino superior, que já é difícil para pessoas de baixa renda, de certa forma é endossado para pessoas que são pretas e pardas, como é o meu caso.”

A UFPE não se pronunciou sobre Williane, mas emitiu uma nota sobre o trabalho da Comissão de Heteroidentificação da universidade: “Trata-se de um órgão colegiado – instituído especificamente para essa finalidade –, responsável por realizar o procedimento de heteroidentificação, deliberando sobre a veracidade da autodeclaração racial.”

Fonte: IstoÉ